Os produtores do Vale do São Francisco receberam como uma bomba a notícia de que as frutas plantadas na região ficaram fora da lista de isenção brasileira de exportações aos EUA. Eles já preveem prejuízos com as vendas da chamada janela americana que começa em agosto e vai até novembro.
Segundo o diretor da Valexport (Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco), Tassio Lustoza, hoje estão sendo finalizadas as primeiras cargas de manga Tommy, que devem ser levadas para o Porto de Fortaleza. “Inicialmente está previsto algo em torno de seis contêineres, ou 132 toneladas. Eles embarcam domingo”, diz.
O setor de fruticultura gera cerca de 250 mil empregos diretos e 950 mil indiretos na região. A Valexport cita que a região movimenta US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) em exportações por ano, com destaque para a manga —fruta que tem o maior valor exportado na balança comercial do setor no país.
Apesar do tarifaço confirmado, ele afirma que o setor deve seguir com parte das vendas, que ocorrem de forma consignado —o que não for vendido, vai para o lixo. No caso, com a taxa de 50%, os valores da manga deve subir no mercado estadunidense. Para o setor, exportar uma parte minizará os prejuízos.
As mangas para os EUA do tipo tommy são vendidas quase que exclusivamente para o país norte-americano, já que na Europa ela não tem entrada.
“Não existe outro país que absorva essas frutas. Os países do continente europeu recebem 70% de toda a manga que exportamos, mas não querem essa variedade”, alega.
Segundo Tassio, o mercado interno não tem como absorver a produção, então inicialmente eles veem como viável exportar uma pequena quantidade. “É possível manter um volume baixo de venda, não mais que 30%, pois mais do que isso, o preço lá vai ficar abaixo da viabilidade. Ou seja, 70% ficará no mercado interno, não temos opções”, explica.
No caso de venda dentro do Brasil, Tassio diz que o aumento da oferta deve pressionar os preços para baixo, o que inviabilizará até mesmo a colheita.
Segundo João Ricardo Lima, pesquisador local da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), se um grande volume de mangas e uvas forem direcionadas ao mercado interno, poderá haver problema de sustentabilidade, já estão os preços nacionais da fruta estão “muito baixos no momento”.
Texto: Carlos Madeiro/ Site UOL
Foto: Valexport/Divulgação
