Como legítimo sertanejo e a partir da última publicação do Curaçá Oficial a respeito da seca, me senti instigado a escrever mais um rabisco…
Para iniciar, olha só o que Graciliano Ramos, no livro Vidas Secas já falava em 1938:
“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.”
Essa passagem retrata aquilo que parece não ter fim: a seca no sertão nordestino…
Segundo o geógrafo Aziz Ab´ Saber, In Memoriam, o que hoje forma o semiárido nordestino são restos de um grande deserto que existia antes da última glaciação, há 12.700 anos.
O problema é natural, mas muito mais social. Basta ver os exemplos da Califórnia, onde o clima é muito mais seco do que no Sertão e mesmo assim é uma das regiões mais ricas do planeta! Poderíamos citar Israel também? Sim. Israel, como já disse em outro rabisco, está encravado no Deserto do Neguev e é uma potência agrícola, coisa que o sertão nordestino poderia ser. E não é por quê?
E o que seria a “Indústria da Seca?” Vou deixar você pesquisar. Começar a pesquisar pelo uso de pipas d´agua é um caminho…
Como não poderia faltar nos meus rabiscos, vamos de música…
“Quando o ronco feroz do carro pipa…
EU SEI QUE A CHUVA É POUCA
O CHÃO É QUENTE
MAS TEM MÃO BOBA ENGANANDO A GENTE
SECANDO O VERDE DA IRRIGAÇÃO.
Eu pensei que tivesse resolvida
Essa forma de vida tão medonha
Mas ainda me matam de vergonha
Os currais, coronéis e suas cercas
Pensei nunca mais sofrer da seca
No Nordeste do século vinte e um.” Flávio Leandro
Ano que vem tem eleição….
Por Netinho de Elzeneide
Advogado e Conselheiro Tutelar
