Cultura
O sertão em festa: Curaçá se prepara para a 2ª edição da FLIC – Festa Literária de Curaçá 2025
O município de Curaçá, situado no norte da Bahia, às margens do Rio São Francisco, celebrará a segunda edição da Festa Literária de Curaçá, a FLIC 2025. O evento reunirá nomes da literatura brasileira e regional em uma programação gratuita, que acontecerá no CETEP Maria de Almeida Araújo e no Centro Histórico, na Praça do Teatro Raul Coelho, entre os dias 5, 6 e 7 de novembro.
A FLIC 2025 terá como tema “Essa Terra e as Linguagens Literárias” e homenageará o consagrado escritor Antônio Torres, natural de Sátiro Dias (BA), autor do clássico Essa Terra e membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Letras da Bahia. Suas obras, reconhecidas nacional e internacionalmente, retratam com sensibilidade desde a cidade grande ao sertão e o povo nordestino, inspirando gerações de leitores.
A programação contará com oficinas, exposições de artistas regionais – entre elas, a mostra de quadros do artista plástico curaçaense Kekê de Bela – e a participação de sebos do Vale do São Francisco, onde os leitores poderão adquirir livros. Haverá ainda atividades infantis com o coletivo cultural Galeota das Artes, o Palhaço Paçoquinha e Adriana Campana; mesas temáticas sobre as diversas linguagens literárias, com escritores, artistas e professores renomados, entre os quais, além do homenageado, Sidney Rocha, Cristhiano Aguiar, Emanuelle Matias, Jamile Borges e Lupeu Lacerda, além de apresentações culturais produzidas pelos estudantes do CETEP, lançamentos de livros, espetáculos teatrais e shows musicais.
Entre as atrações confirmadas estão os artistas locais Lucas Santos, Yanca Rafaela, Bichos Escrotos, Pinduka e a Filarmônica 15 de Março de Barro Vermelho, coral Vozes da Caatinga (UNEB), além dos regionais Secabudega, Camila Yasmine, Filhos de Zazé e Samba di Malê.
Para o curador da FLIC 2025, o professor doutor Josemar Martins (Pinzoh), “a FLIC é parte de um esforço coletivo de realizar um evento que engrandeça a cidade e o município de Curaçá, promovendo as diversas linguagens da arte e da cultura a partir da diversidade dos gêneros literários. Este ano, inclusive, as mesas da FLIC vão explorar as estruturas narrativas dos diversos gêneros da literatura, o que lhe agrega um papel mais formador também”.
A FLIC 2025 conta com a realização do Acervo Curaçaense e do CETEP, patrocínio do deputado estadual Zó, da Secretaria Estadual de Educação (Governo do Estado da Bahia) e da Prefeitura Municipal de Curaçá e seus órgãos, com destaque para a Secretaria Municipal de Educação. O evento também conta com os apoios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), ADESBA, CESOL, Fundação Pedro Calmon, BlueSky, DM Contabilidade, MicroRio, SAAE e Óticas Melo.
A seguir, confira a programação completa da FLIC 2025.
PROGRAMAÇÃO DA FLIC 2025
“Essa Terra e as Linguagens Literárias” – Homenagem a Antônio Torres
- De 27/10 a 05/11/2025 – Período para as oficinas antecipadas
- Oficina de Cordel – Caialla Fonseca – 29/10 – das 14h às 16h e das 19h30min às 21h30min – 40 vagas (10 vagas para 3 escolas + 10 vagas para público externo).
- Oficina de texto dramático e atuação – Khalél Costa – 03/11 – das 10 às 12h e das 14 às 16h – 40 vagas (10 vagas para 3 escolas + 10 vagas para público externo).
- Oficina de contos – Murilo Melo – dia 04/11 – das 10 às 12h e das 14 às 16h. – 40 vagas (10 vagas para 3 escolas + 10 vagas para público externo).
PROGRAMAÇÃO DA 2ª FLIC
PRIMEIRO DIA – 05/11/2025 – NOITE – Abertura Oficial da 2ª FLIC
LOCAL: Palco da Praça Raul Coelho
- 17h00min – Apresentações das escolas municipais, Fanfarras, Galeota, Otávio Santana
- 19h00min – Falas de Autoridades e Produtores da FLIC
- 20h00min – Lucas Santos e banda
- 21h00min – Show Filhos de Zaze
SEGUNDO DIA – 06/11/2025 – MANHÃ – Programação Literária
LOCAL: Teatro Miguel Coelho / CETEP
- 08h00min – Abertura das exposições e sebos no pátio do CETEP: Exposições de Kekê, Laide Dantas e Blue Sky; Sebo Nas Canelas e Sebo Reboliço + Entrega da Estante Janela Azul à Galeota das Artes – Projeto Literatura, Infâncias e Juventudes no Semiárido Brasileiro (Prof. Claudia Maisa – DCH III UNEB).
- 09h00min – Lançamento do Dicionário Histórico e Biográfico José Omara Lopes da Silva e Homenagem Vicente Ferreira – Acervo Curaçaense Lugori / Performance de Jonathas Tonny.
- 09h30min – Apresentação de obras de projetos estruturantes do CETEP e das escolas da rede estadual / Corais escolares – Deize e Núbia.
- 10h30min – 1ª Mesa Literária: “Eu venho lá do sertão e posso lhe agradar“ – com Antônio Torres – Mediação Josemar Pinzoh
- 12h00min – Intervalo para o almoço
SEGUNDO DIA – 06/11/2025 – TARDE – Programação Literária
LOCAL: Teatro Miguel Coelho / CETEP
- 14h00min – Retomada Artística(*)
- 14h30min – 2ª Mesa Literária – A estrutura da poesia popular – Luiz Gonzaga Maia /Clenio Sandes – Mediação de Prof. Carlos Viana (Beto)
- 16h00min – 3ª Mesa Literária: – A estrutura do romance – Antonio Torres
- 16h30min – 1ª Sessão de lançamento de livros
- 17h30min – Encerramento das atividades literárias do 2º dia
SEGUNDO DIA – 06/11/2025 – NOITE
LOCAL: Teatro Raul Coelho / Palco da Praça Raul Coelho
- 19h00min – Espetáculo Quebranto – Praça Raul Coelho
- 20h00min – Filarmônica 15 de Março de Barro Vermelho
- 21h00min – Show DJ Pinduka
- 22h00min – Show de Yanka Rafaela
TERCEIRO DIA – 07/11/2025 – MANHÃ – Programação Literária
LOCAL: Teatro Miguel Coelho / CETEP
- 09h00min – 4ª Mesa Literária – A literatura e a questão racial – Jamile Borges – Mediação: Profa. Rosilene (CETEP)
- 10h00min – Intervalo Artístico
- 10h15min – 5ª Mesa Literária – A estrutura narrativa do conto – Cristiano Aguiar e Lupeu Lacerda – Mediação – Emanuelle Matias
- 11h30min – Outras artes das escolas estaduais
- 12h00min – Intervalo para o almoço
TERCEIRO DIA – 07/11/2025 – TARDE – Programação Literária
LOCAL: Teatro Miguel Coelho / CETEP
- 14h00min – Retomada Artística
- 14h20min – 6ª Mesa Literária – “Insustentavelmente trans: modos de habitar a cidade pela arte – a poesia, o teatro, a política” – Pinduka, Dodó, Demis, Elieusina
- 15h30min – Intervalo Artístico
- 16h00min – 7ª Mesa Literária – O romance e os mandamentos de uma estória bem contada – Sidney Rocha – Mediação: Lupeu Lacerda
- 17h20min – 2ª Sessão de lançamento de livros
- 18h00min – Encerramento das atividades literárias do 3º dia
TERCEIRO DIA – 07/11/2025 – NOITE
LOCAL: Teatro Raul Coelho / Palco da Praça Raul Coelho
- 20h00min – Show de Bichos Escrotos
- 21h00min – Show Samba di Malê
- 22h00min – Show Secabudega
- 23h00min – Camila Yasmine
PROGRAMAÇÃO INFANTIL
DIA 06/11 – 09h00min – Quadra do CETEP – Adriana Campana e Palhaço Paçoquinha.
DIA 06/11 – 14h00min – Quadra do CETEP – Adriana Campana e Palhaço Paçoquinha
DIA 07/11 – 09h00min – Quadra do CETEP – Galeota das Artes
DIA 07/11 – 14h00min – Quadra do CETEP – Galeota das Artes
FEIRA DE ECONOMIA SOLIDÁRIA – ADESBA/CESOL
Dias 06, 06 E 07/11, das 16 às 22 horas, na Praça Raul Coelho.
Texto: Alinne Torres
Cultura
Artigo: Zito Torres, lembrança e saudade
Por: Walter Araújo
Foto: Arquivo de Luciano Lugori
“Patrão, mas eu amo mesmo assim
Nem que só fique o torrão
Pode a casa cair toda
Ficar rente com o chão
Mas Bambuí sempre mora
Dentro do meu coração”
(Zito Torres, Bambuí)
Embora continuamente tentado pela grandeza histórica do poeta Zito Torres, nunca me atrevi, diante de minhas limitações, a escrever sobre ele. Entendo que não tenho o que acrescentar a tudo que já foi dito relativamente àquele grande filho de Curaçá.
Outros já fizeram com muita propriedade e sabedoria. Entretanto, consultando meus alfarrábios, deparei-me com Bambuí, clássico de Zito, primor de amor à terra e às raízes curaçaenses.
Zito – Durvalzito Dias Torres – era, por assim dizer, uma contribuição itinerante à cultura de Curaçá.
Ambos – Curaçá e Zito – se entrelaçam, ricamente, de modo que as lembranças de Zito nos fazem admirar e reverenciar sua memória, mais e mais, incansavelmente.
Tive o privilégio de conviver com Zito Torres. Convivência breve, mas respeitosa, porque Zito era assim: respeitador, educado, gentleman, essencialmente cavalheiro.
Importante o lugar de Zito Torres na história de Curaçá. Filho ilustre da terra, inteligente, humilde, fino no trato com todos e, sobretudo, rico culturalmente.
Na década de 1980 efervescia em Curaçá o movimento Curaçarte, que nasceu da inquietude de alguns jovens, dentre esses Roberval Dias Torres, Libânia Dias Torres, Josemar Martins (Pinzoh), honra e glória do povoado de São Bento, Pinduka e outros mais, tão importantes para a época e para o movimento Curaçarte quanto os citados.
Com o intuito de comemorar os cinquenta anos de vida de Zito Torres, lá por volta de 1987, o movimento o convidou para fazer um show no histórico Teatro Raul Coelho.
Zito topou colaborar com a rapaziada e fez o show. Aliás, Zito nunca dizia não.
Talvez essa tenha sido sua apresentação artística mais importante, porque em apoio ao inconformismo daquela juventude sufocada política e socialmente dentro de seu próprio município.
Tempos difíceis. Alguns precisavam gritar. Eles gritaram.
Conta Roberval Dias Torres que Zito “cantou e encantou com um violão que tinha a ressonância de uma orquestra completa” (Insustentavelmente Trans, Editora Didática Paulista, 2002). E depois caiu na boemia com os jovens insurgentes até o alvorecer.
Não é possível, aqui, contar as façanhas de Zito. Foram muitas, inúmeras, durante sua vida efêmera, mas intensa.
Zito conseguiu conciliar o mister de escrivão de polícia e a boemia diuturna que enriqueceu a história de Curaçá. O mundo de Zito era encantador e assim ele demonstrava para todos.
No que tange a Bambuí, é antológica a referência à venda da fazenda, com tudo que tinha lá, inclusive os animais e a despedida da vaca Miúda, mesmo considerando a liberdade poética e a fértil imaginação do autor:
“No dia da despedida
Fumo dentro do currá
Se despedir da Miúda
Vosmecê pode creá
Miúda não se conteve
Sentiu também emoção
Eu vi sair dos olhos dela
Lágrimas a pingar no chão.
É doloroso, patrão
Inté a vaca chorou
Lamentando nossa ausência
Miúda chorou de dor”
Coisas de poeta.
Zito Torres deixou alegria, exemplo de criatividade e muito do seu ser pelas ruas de Curaçá.
Já sugeri, alhures – e minha sugestão e nada é a mesma coisa – que o município de Curaçá erga um monumento a Zito Torres.
A memória de Zito representa, ao mesmo tempo: história, cultura, amizade, decência, generosidade, caráter irrepreensível e cordialidade.
Tarefa ingente para, mais adiante, o Acervo Curaçaense cutucar a Câmara Municipal de Curaçá e, conseguintemente, a grande e séria expectativa política do município: Rogério Bahia.
Esse pessoal do Acervo Curaçaense é demais.
Cultura
Programação do carnaval de Curaçá é divulgada
Curaçá já está no ritmo da folia. O Carnaval Curaçá – Folia do Povo 2026 acontecerá nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com uma programação que valoriza a música, a cultura popular e o carnaval de rua, fortalecendo uma das manifestações mais tradicionais do município. Serão três dias de festa, com apresentações musicais que prometem movimentar a cidade.
No domingo (15), a abertura da programação conta com os shows de Classe A, Ana Costa, Thiaguinho Carvalho e Alex.com.
Na segunda-feira (16), sobem ao palco David Cauan, Voa Voa, Som de Pagode e Banda Mirage, mantendo o ritmo da folia nas ruas.
Já na terça-feira (17), a programação segue com Samba do Valle, Mano Rodrigues, Willian do Valle, Matheus Torres e Tom Bahia. No mesmo dia, acontece o tradicional Banho de Cheiro, que segue como parte importante da história do carnaval de Curaçá.
Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura de Curaçá reafirma o compromisso de resgatar e fortalecer o Carnaval do município, valorizando as tradições locais e promovendo acesso ao lazer e à cultura.
Fonte: Secom Curaçá
Cultura
Comunidade da Boa Esperança promoverá 30º torneio de futebol
A comunidade de Patamuté, distrito de Curaçá, já está em contagem regressiva para um dos eventos esportivos mais tradicionais da região. No próximo 14 de fevereiro, sábado de carnaval, a Fazenda Boa Esperança será palco da 30ª edição do Torneio da Boa Esperança, que promete movimentar atletas, torcedores e visitantes com muito futebol, rivalidade saudável e emoção dentro de campo.
Ao longo do dia, as equipes entram em campo disputando cada lance, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e fortalece o esporte amador na região. A competição contará com mais de R$ 10 mil em premiação, valorizando os times participantes e elevando ainda mais o nível do torneio.
E quando a bola parar de rolar, a festa continua. A partir das 17h30, o público vai curtir uma programação musical especial, com shows de Fabrício do Acordeon, Tiaguinho Carvalho e Vaguinho Swingão, garantindo animação, dança e muita resenha boa até a noite.
O Torneio da Boa Esperança é mais do que futebol: é encontro de amigos, celebração da cultura local e tradição que faz parte do calendário esportivo e festivo de Patamuté. Uma edição histórica que promete ser “pesada” dentro e fora de campo.
Texto: Curaçá Oficial
