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Cultura

Artigo: O Silêncio do Velho Palco

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No coração do centro histórico de Curaçá, repousa um guardião do tempo: o Teatro Raul Coelho. Construído no início do século XX, esse espaço centenário atravessou décadas como o principal ponto de encontro cultural do município. Sua arquitetura colonial, singela e imponente, permanece como testemunha silenciosa de uma história rica, marcada por risos, lágrimas, aplausos e descobertas.

O Teatro Raul Coelho não foi apenas um prédio de apresentações, ele foi alma viva da cidade. Por seu palco passaram artistas locais, professores, estudantes, figuras ilustres e anônimos. Foram encenados ali dramas como A Cigana Me Enganou, A Louca do Jardim, clássicos do teatro nacional, peças divertidas de bonitas memórias, como: “Mas Será o Benedito?”, entre tantas outras. Daquele espaço também partiram grandes decisões políticas e educativas, como a construção da Agenda 21 do município, um marco de mudanças de concepções de vida e ecologia. Gerações inteiras estrearam, emocionaram-se e se descobriram entre suas cortinas e refletores.

Mas como tudo que resiste ao tempo sem os devidos cuidados, o teatro quase se rendeu ao esquecimento. Sua estrutura envelhecia, sua pintura desbotava, sua presença era ameaçada por um abandono lento e silencioso. Foi então, que a esperança renasceu com o Projeto Ararinha Azul, responsável por sua restauração. E ali, no meio da praça, no coração da cidade, o teatro voltou a viver.

Em uma cerimônia marcada pela emoção e pela memória, o vaqueiro Zé de Roque, meu avô, símbolo da sabedoria popular de Curaçá, disse com firmeza e poesia:
“A esperança de Curaçá não é verde, é azul.”

Azul como a Ararinha Azul, espécie símbolo do sertão nordestino, ameaçada de extinção e por muitos anos representada por um único exemplar em liberdade no mundo. Azul como a nova cor do teatro, escolhida em reconhecimento à luta por preservar, não apenas uma ave, mas uma identidade. Pois, assim como a ararinha, o Teatro Raul Coelho também parecia estar sozinho, raro, em risco, um símbolo silenciado da nossa cultura.
Novos passos, novas ações e o teatro testemunhava sonhos, aguçada sentidos, como palco de novas gerações.

Nos dias atuais, porém, mais de duas décadas depois daquela grande restauração, a solidão voltou a fazer morada entre suas cadeiras. Com a construção de um novo centro cultural, moderno, climatizado e funcional, o velho teatro foi novamente deixado para trás. Hoje, suas portas raramente se abrem. Seu palco, antes tão vivo, se cala. O que era vida e celebração tornou-se silêncio e esquecimento.

É impossível não pensar nos nossos idosos quando olhamos para o Teatro Raul Coelho. Como eles, o teatro carrega histórias, cicatrizes, sabedoria e beleza. Mas como muitos anciãos, tem sido esquecido, trocado pelo novo, como se o antigo não mais tivesse valor. Seu abandono é um espelho da forma como tratamos nossa própria memória, nossa história, nossa identidade.

Deixar que o Teatro Raul Coelho desabe é mais do que perder um prédio é perder um elo entre gerações. É apagar as marcas que nos trouxeram até aqui. É negar às novas gerações a oportunidade de viver, sentir e aprender com o que já foi. É permitir que a extinção cultural nos atinja, assim como, quase se perdeu para sempre, a voz da Ararinha Azul.

É tempo de lembrar… É tempo de cuidar… O Teatro Raul Coelho ainda está lá, esperando, como um ancião digno, por um olhar de afeto, por um gesto de valorização. Que ele não tenha como destino a mesma solidão que ameaça tantos símbolos vivos da nossa história. Porque, quando trocamos a memória pela novidade, não é o passado que empobrecemos, é o nosso futuro que se torna mais frágil, mais esvaziado de vida verdadeira.

Por Leonnardo Araújo

Foto: Arquivo Curaçá Oficial

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Cultura

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curaçá celebra 50 anos de história e luta no campo

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Os 50 anos de fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Curaçá foram celebrados no último domingo (24) com homenagens e reconhecimento à trajetória de luta da entidade em defesa da mulher e do homem do campo.

A programação comemorativa contou com palestras, feira da economia solidária, exposição de artesanato e festa dançante com artistas locais e regionais, reunindo centenas de sócios e sócias do sindicato, além de vereadores, representantes da gestão municipal, sindicalistas de cidades vizinhas, lideranças rurais e a comunidade em geral em um grande momento de celebração da história e das conquistas da categoria.

As celebrações dos 50 anos contaram com apoio do Governo do Estado da Bahia, da SETUR – Secretaria de Turismo da Bahia, do deputado estadual Ângelo Almeida, da Prefeitura de Curaçá e da Sociedade dos Vaqueiros.

Repercussão

A data também foi destacada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), através de moção de aplausos apresentada pelo deputado estadual Angelo Almeida.

Durante a homenagem, Angelo Almeida ressaltou a importância histórica do sindicato para os trabalhadores rurais de Curaçá desde sua fundação, em 1976, destacando ainda o legado de Bernardino Rodrigues dos Santos, o “Seu Bina”, fundador e primeiro presidente da instituição. O parlamentar também participou das comemorações no município e reafirmou seu compromisso com a agricultura familiar e com as causas do povo do campo.

Texto: Curaçá Oficial

Fotos: STR- Curaçá

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Cultura

Curaçá Oficial realiza “Esquenta de São João” com transmissão ao vivo no YouTube na sexta-feira (22)

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Bahia

Governo do Estado prorroga chamamento para municípios do São João da Bahia e demais Festejos Juninos 2026 até esta segunda-feira

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O Governo da Bahia prorrogou até o dia 18 de maio de 2026 o prazo do chamamento público destinado aos municípios interessados em participar do São João da Bahia e Demais Festejos Juninos 2026. A iniciativa, realizada por meio da Sufotur – Superintendência de Fomento ao Turismo, prevê investimento de cerca de R$ 147 milhões, com possibilidade de contemplar até 416 municípios nos diferentes territórios de identidade do estado.

O edital de Seleção Pública para as festas juninas de Santo Antônio, São João e São Pedro prevê aportes entre R$ 98 mil e R$ 631 mil por município, abrangendo festejos realizados entre 5 de junho e 3 de julho de 2026. Entre as diretrizes da edição deste ano, pelo menos 25% dos recursos destinados às apresentações artísticas deverão ser aplicados na contratação de artistas do autêntico forró, com foco em gêneros como xaxado, baião, xote e forró pé-de-serra.

O edital completo está disponível no site da Sufotur: www.ba.gov.br/sufotur/sao-joao-2026

Texto: Governo do Estado da Bahia

Foto: Wuiga Rubini/GOVBA

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