Cultura
Artigo: Zito Torres, lembrança e saudade
Por: Walter Araújo
Foto: Arquivo de Luciano Lugori
“Patrão, mas eu amo mesmo assim
Nem que só fique o torrão
Pode a casa cair toda
Ficar rente com o chão
Mas Bambuí sempre mora
Dentro do meu coração”
(Zito Torres, Bambuí)
Embora continuamente tentado pela grandeza histórica do poeta Zito Torres, nunca me atrevi, diante de minhas limitações, a escrever sobre ele. Entendo que não tenho o que acrescentar a tudo que já foi dito relativamente àquele grande filho de Curaçá.
Outros já fizeram com muita propriedade e sabedoria. Entretanto, consultando meus alfarrábios, deparei-me com Bambuí, clássico de Zito, primor de amor à terra e às raízes curaçaenses.
Zito – Durvalzito Dias Torres – era, por assim dizer, uma contribuição itinerante à cultura de Curaçá.
Ambos – Curaçá e Zito – se entrelaçam, ricamente, de modo que as lembranças de Zito nos fazem admirar e reverenciar sua memória, mais e mais, incansavelmente.
Tive o privilégio de conviver com Zito Torres. Convivência breve, mas respeitosa, porque Zito era assim: respeitador, educado, gentleman, essencialmente cavalheiro.
Importante o lugar de Zito Torres na história de Curaçá. Filho ilustre da terra, inteligente, humilde, fino no trato com todos e, sobretudo, rico culturalmente.
Na década de 1980 efervescia em Curaçá o movimento Curaçarte, que nasceu da inquietude de alguns jovens, dentre esses Roberval Dias Torres, Libânia Dias Torres, Josemar Martins (Pinzoh), honra e glória do povoado de São Bento, Pinduka e outros mais, tão importantes para a época e para o movimento Curaçarte quanto os citados.
Com o intuito de comemorar os cinquenta anos de vida de Zito Torres, lá por volta de 1987, o movimento o convidou para fazer um show no histórico Teatro Raul Coelho.
Zito topou colaborar com a rapaziada e fez o show. Aliás, Zito nunca dizia não.
Talvez essa tenha sido sua apresentação artística mais importante, porque em apoio ao inconformismo daquela juventude sufocada política e socialmente dentro de seu próprio município.
Tempos difíceis. Alguns precisavam gritar. Eles gritaram.
Conta Roberval Dias Torres que Zito “cantou e encantou com um violão que tinha a ressonância de uma orquestra completa” (Insustentavelmente Trans, Editora Didática Paulista, 2002). E depois caiu na boemia com os jovens insurgentes até o alvorecer.
Não é possível, aqui, contar as façanhas de Zito. Foram muitas, inúmeras, durante sua vida efêmera, mas intensa.
Zito conseguiu conciliar o mister de escrivão de polícia e a boemia diuturna que enriqueceu a história de Curaçá. O mundo de Zito era encantador e assim ele demonstrava para todos.
No que tange a Bambuí, é antológica a referência à venda da fazenda, com tudo que tinha lá, inclusive os animais e a despedida da vaca Miúda, mesmo considerando a liberdade poética e a fértil imaginação do autor:
“No dia da despedida
Fumo dentro do currá
Se despedir da Miúda
Vosmecê pode creá
Miúda não se conteve
Sentiu também emoção
Eu vi sair dos olhos dela
Lágrimas a pingar no chão.
É doloroso, patrão
Inté a vaca chorou
Lamentando nossa ausência
Miúda chorou de dor”
Coisas de poeta.
Zito Torres deixou alegria, exemplo de criatividade e muito do seu ser pelas ruas de Curaçá.
Já sugeri, alhures – e minha sugestão e nada é a mesma coisa – que o município de Curaçá erga um monumento a Zito Torres.
A memória de Zito representa, ao mesmo tempo: história, cultura, amizade, decência, generosidade, caráter irrepreensível e cordialidade.
Tarefa ingente para, mais adiante, o Acervo Curaçaense cutucar a Câmara Municipal de Curaçá e, conseguintemente, a grande e séria expectativa política do município: Rogério Bahia.
Esse pessoal do Acervo Curaçaense é demais.
Cultura
Com Oswaldo Montenegro, Adriana Calcanhoto, Bob Fernandes e Daniel Munduruku, Juá Literária coloca Juazeiro no centro da cena cultural brasileira
Festival acontece de 20 a 25 de julho com mais de 180 atrações, cerca de 200 artistas e escritores, distribuídos em dez espaços da cidade e do interior, integrando a programação dos 148 anos de Juazeiro
Mais de 180 atrações envolvendo cerca de 200 artistas e escritores distribuídos em 10 espaços na cidade e no interior. Está tudo praticamente pronto em Juazeiro-BA, para a realização da segunda edição do Juá Literária, que vai movimentar o Vale do São Francisco de 20 a 25 de julho.
O festival começa às 9h da segunda-feira (20), na Carreta Literária, com uma apresentação das escolas da rede pública municipal. Daí em diante, um leque diversificado de atrações promete mobilizar o público com a participação de artistas de renome nacional em rodas de conversa; mesas; oficinas; teatro; contação de histórias; lançamentos e shows musicais.
Nomes representativos no segmento literário, a exemplo de Bob Fernandes e Daniel Munduruku, além de Osvaldo Montenegro e Adriana Calcanhoto, no cenário musical nacional, irão se revezar em ações como a Tenda das Palavras e Canções do Rio, numa super estrutura montada na Orla Nova do município, à beira do Rio São Francisco, no Centro de Cultura João Gilberto e na Casa do Artesão.
E a grade do festival amplia o leque cultural com propostas acessíveis a públicos de todas as idades. Ainda são exemplos ações como as Embarcações de Poesias, Cais da Palavra, Flijuá (Feira de Literatura de Juazeiro), Leve e Leia e a Praça do Zé Livrório, que estende o evento para localidades do interior do município, integrando oficialmente o calendário de aniversário de 148 anos de Juazeiro.
Para a secretária municipal de Educação, Maeve Melo, o momento é de celebrar a força das palavras neste que já é considerado o maior Festival de literatura do Vale do São Francisco. “O Juá Literária vem aí trazendo muita arte, literatura, conhecimento e inspiração para todas as idades; a riqueza da nossa cultura e o encanto das histórias que nos unem”, concluiu.
O Festival Juá Literária é uma realização da Prefeitura Municipal de Juazeiro, por meio da Secretaria de Educação, dentro do Programa Juá Literária, com apoio da Editora IMEPH, Andelivros, Governo do Estado da Bahia e Fundação Pedro Calmon, e produção da Carranca Produções e Entre Versos e Canções Produções.
Texto: Ascom PMJ
Cultura
Festa dos Vaqueiros: confira a programação do Circuito Vaqueiro Raimundo Balaio
A Prefeitura Municipal de Curaçá divulgou, por meio das redes sociais, a programação completa dos shows que acontecerão durante a Festa dos Vaqueiros 2026, no Circuito Vaqueiro Raimundo Balaio, localizado na Avenida Dr. Pedro Santos Torres.
As apresentações terão início às 14h da sexta-feira (3) e seguem ao longo dos três dias de festa, reunindo artistas locais, regionais e atrações de destaque nacional.
Confira, nos cards a seguir, a programação completa de cada dia do evento.
Texto: Curaçá Oficial
Foto: William Santos

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